Compartilhar

Seminário da soja: entrevista com Antônio Sartori - mercado da soja

Entrevista concedida por Antônio Sartori a Zizi Machado, para o programa Espaço Livre da Rádio Cotrisel, sobre a sua palestra no Seminário da Soja 2018: Perspectivas para o mercado da soja.

 

Zizi: O seu tema era “perspectivas para o mercado da soja” e sempre isso é uma preocupação. A sua perspectiva, o que o senhor projeta e trouxe para os produtores aqui foi uma projeção positiva para o próximo ciclo?

Sartori: Sem dúvida nenhuma!  Se nós estamos num mercado de demanda, e como a gente mostrou ontem que o mundo nos próximos 10 anos precisa aumentar a produção de grãos em 576 milhões de toneladas, porque vai ter consumo, então tem que aumentar a produção via produtividade. Até porque aquele produtor que tem baixa produtividade não tem como ser competitivo e você não sabe o que vai acontecer com o câmbio. Quem é o próximo presidente do Brasil? Como vai ficar o câmbio? Então é muita incógnita, é muita incerteza. O que vai fazer o presidente americano em relação à China e a China vice-versa? Então existem conflitos geopolíticos no mundo que nos dão uma incerteza muito grande de como vão nos dar o preço dolarizado da Bolsa de Chicago e multiplicado esses dólares por saco pela taxa de câmbio, que no começo do ano estava em R$3,00 e agora passou de R$4,00. Como é que vai ser para o ano que vem? Muita incerteza, muita dúvida, muita preocupação.

 

Zizi: Eu acredito, particularmente, que o produtor tem acreditado nisso também, até porque a gente tem aumentado a área de soja aqui em São Sepé e na região em detrimento do arroz, que tinha uma área maior e foi diminuindo ao longo do tempo, justamente um dos principais motivos a questão do mercado, que é diferente da soja, que varia com o mercado internacional.

O senhor acredita que os produtores estão migrando, estão apostando porque sabem que o mundo precisa de soja, o Brasil é um grande exportador de soja e isso pode se tornar algo fantástico daqui um tempo?

Sartori: Olha, o Rio Grande do Sul não pode abrir mão da sua produção de arroz. Nós temos uma área perto de 4 milhões de hectares propícias para o arroz e nós só usamos um pouco mais de 1 milhão de hectares. Não houve uma troca de área de arroz por área de soja, o que houve é na rotação, que antes era feito com pousio ou com gado, está sendo feita essa rotação com soja, que termina melhorando o solo, para quando produzir arroz, produz com mais produtividade. Então é um consórcio, é um ganha-ganha a relação soja/arroz, e tem espaço para os dois, e o Brasil deve aumentar a sua produção.

 

Zizi: E a relação lavoura/pecuária, o senhor aposta que é uma boa alternativa para a diversificação das propriedades e também agregação de renda?

Sartori: Agronomicamente sim, está provado que o binômio agricultura/pecuária também é um ganha-ganha. Tem que aproveitar mais o solo. Nós não podemos usar o solo para a soja só 120 dias por ano e depois ficar descoberto, tem que aproveitar e dá para aproveitar esse consórcio agricultura/pecuária é uma opção. A rotação arroz e soja é uma outra opção. Tem muito por fazer, e nós vamos fazer melhor, não tenho dúvida nenhuma.