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[DETEC INFORMA] Manejo de inverno – plantas de cobertura

O manejo de inverno nas lavouras, dando ênfase para plantas daninhas, pragas e doenças das culturas subsequentes, se torna cada vez mais importante para um controle satisfatório e de menor custo para o produtor, principalmente em áreas cultivadas com soja.

Esse manejo pode ser feito com a utilização de herbicidas, com o objetivo de controlar plantas daninhas e espontâneas presentes, e plantas hospedeiras de pragas e de doenças. Com essa prática, tem-se plantas daninhas mais jovens no momento das dessecações, o que torna o controle pré-semeadura mais eficiente e com um menor custo para o produtor, assim como menor pressão de inóculo de doenças e menor nível de população de pragas para a cultura subsequente.

Outro manejo que pode ser feito é através da utilização de plantas de cobertura, em alguns casos chamados de Adubação Verde, ou mesmo com as culturas de inverno (Aveia, Trigo, Azevém etc.), evitando que a área permaneça em pousio e sem cobertura durante o inverno.

Esse manejo com plantas de cobertura pode ser feito com plantas isoladas ou com um conjunto delas, que pode ser chamado de MIX de plantas. A escolha das espécies deve levar em consideração a cultura sucessora – tendo em vista a utilização de espécies que não serão hospedeiras de fungos e de insetos que ataquem a cultura a ser implantada – e as condições físicas do solo, como a compactação por exemplo.

Nesses complexos de plantas, pode-se utilizar gramíneas, como milheto e capim sudão, que possuem um sistema radicular bastante profundo e abundante, sendo que devem ser implantadas nos meses mais quentes para ter um bom desenvolvimento. Centeio e aveias, por terem um desenvolvimento inicial vigoroso, geram bom volume de biomassa; leguminosas, como a ervilhaca, que além de terem uma boa produção de biomassa e fixação de nitrogênio, ajudam no reestabelecimento da fauna biológica do solo; e crucíferas, como é o caso de nabos forrageiros, que têm como principal benefício a descompactação do solo e reciclagem de seus nutrientes.

Portanto, grandes vantagens podem ser alcançadas com a utilização de plantas de cobertura. Além da cobertura do solo com a biomassa gerada pelas plantas, tem-se a descompactação e a reciclagem de nutrientes, devido ao aprofundamento das raízes, que retiram esses nutrientes das partes mais profundas do solo e os colocam na rizosfera (camada do solo em que se concentram as raízes das culturas). Através da decomposição dessa biomassa gerada, os principais nutrientes reciclados são, de maneira geral, nitrogênio, fósforo e enxofre, que também trazem outro grande benefício: a redução “controle” da erosão do solo, pois a biomassa impede que a água remova as partículas do solo e as carregue formando erosões.

Para a utilização dessas plantas, deve-se levar em consideração a época de semeadura da cobertura, as condições de solo existentes na área e a época em que a cultura subsequente será implantada. Assim, as coberturas devem ser semeadas com tempo hábil para que se desenvolvam gerando biomassa e dessequem antes que frutifiquem, ou seja, no momento em que florescerem, para que não se tornem plantas invasoras na cultura a ser implantada posteriormente. Algumas vezes, dependendo do volume de biomassa, precisa-se dessecar com antecedência para facilitar a semeadura da cultura.

A biomassa, quando utilizada em grande volume, torna-se um “herbicida natural”, pois através do sombreamento, impede que as plantas infestantes germinem, tornando-as inexistentes no momento da semeadura da cultura.

 

Em caso de dúvidas, consulte um técnico da Cotrisel da sua cidade.

 

Engenheiro Agrônomo Guilherme Urban

DETEC – São Sepé/RS

 

Foto 1: Raix 330,

Foto 2: Raix 210, 

Fonte: Sematter Sementes